sexta-feira, 8 de junho de 2012

Rimas de um coração doente

Vi você se afastar em um barco negro
E na proa a vida em festa
Desejava-me adeus e boa sorte
E eu, como quem a todos detesta
Fiquei na praia a desejar-lhes todos
A morte!

terça-feira, 6 de março de 2012

dança em gelatina

Não sou selvagem, mamãe me educou
Mas tenho andado meio fora de orbita
E surtado um pouco mais que o normal

A gente não tem muita opinião
A gente não teve educação
Falta uma colherada de ética

É que você anda meio demasiado
Que você anda um pouco de mais
Aos tropeços e contusões
A gente dança topando em tudo
A gente vive topando tudo
Um pouco fora do habitual

To tapando sol com a peneira
Quero ver se consigo um bronze pra mim
As coisas não têm muita lógica

segunda-feira, 30 de janeiro de 2012

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Tem tanta merda nesse ventilador
Que já nem ligo
Vou matar de calor
O mundo inteiro

Tem gente forçando um sorriso amarelo
Mas eu já desisti desta nação

Os tolos vem falar de uma dor
Que já nem sentem
Vão matar por rancor
O mundo inteiro

Ainda querem mandar a minha vida ao inferno
Mas eu não vou pedir nenhum perdão

Piégas

Eu já tentei enterrar
A sete palmos a sua lembrança
Minhas unhas em sua carne
Meu rosto nas minhas mãos

Você já foi a ferida que me matava
O fogo que me consumia
Em berro de descontentamento
Trancado em meus pulmões

Vou matar minha saudade a grito

Um pouco de putaria nao faz mal a ninguem

Há um deus que presenteia
Seus devotos com sete virgens
Pois são 7 vezes tais homens amaldiçoados!

Depois de viver longe do pecado
E morrer pela gloria maior
Passar pela provação de ensinar
Sete damas a o servir
Cortejar
E sete TPMs para suportar

Dê senhor, a esse pobre servo uma puta
Que ele há de ser mais feliz

decomposiçao

Eu tapei meus olhos
Para privar-me de tua agonia
Não testemunhar a sua pele
(que já era tão azeda)
Ficar cada vez mais pálida
Ate que parecesse ser constituída do mesmo cálcio dos ossos

Mesmo que eu fizesse tudo para ignorar-te
Eu sentia, ouvia e cheirava sua morte
Seu bafo, que já não era quente,
Tocava em minha pele
E ele fedia ao teu não tão distante esquecimento

Preparei-me para ver o que restou
Daquele que chamei um dia por você
Que de agora em diante seria conhecido como aquilo
E vi somente a morte estampada no seu rosto

Isso que antes sorria
Que era ser pleno e sentimental
Agora, repousado frio mármore
Abraçava finalmente o fim
Como um velho amigo voltando de uma longa viagem

Modelo de gente

Você que leva um sorriso
Armado no bolso
E atestado de bom moço
No seu paletó

E carrega nos gestos
De nativo educado
Todos os jargões que você
Se ensinou

Quanta vergonha
De você que me vende,
Pintado de ouro
Sou mais uma personagem
Do seu circo natal